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quinta-feira, 21 de junho de 2012

CONSUMO SUSTENTÁVEL É ESCOLHA PESSOAL E POLÍTICA, AFIRMAM DEBATEDORES SOBRE CONSUMO SUSTENTAVEL

“A Rio +20 está discutindo a erradicação da miséria como forma de sustentabilidade e a educação e as tecnologias estão sendo vistas como aliadas. Já existem muitas inciativas acontecendo, mas são pouco vistas. Daí a importância deste debate”, afirmou a secretária geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, Geiza Rocha, durante a rodada de debates “Consumo + Sustentável”, realizado na sede da Fecomércio-RJ, na sexta-feira, dia 15 de junho. Na ocasião foi lançada a campanha “Seja consciente. O benefício é todo seu”, uma realização da Fecomércio sob a coordenação técnica da professora de engenharia ambiental da UFRJ, Kátia Dantas. O objetivo da campanha é promover a redução do consumo de energia, água e papel, além de orientar o comércio para práticas sustentáveis.

No debate, que reuniu empresários, representantes da sociedade civil organizada e do poder público, Geiza Rocha falou também sobre a importância do envolvimento do Poder Legislativo nas práticas sustentáveis e em como a sociedade pode participar mais ativamente ao lado da política, para a preservação dos nossos recursos naturais. “Mais do que reunir temos que disponibilizar para todos informações e dados interessantes que muitas vezes ficam restritos aos pequenos grupos”, acredita.

O professor Walter Suemitsu, da COPPE/UFRJ, falou sobre a importância dos comerciantes se responsabilizaram por aquilo que vendem. Para ele, iniciativas como a logística reversa, que responsabiliza quem produz a dar a correta destinação final aos resíduos, e a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais neste processo. “Com a logística reversa a quantidade de resíduos sólidos diminui e se cria uma responsabilidade compartilhada no que se vende e no que se compra”, afirmou.

Para o representante da Fecomércio, Orlando Pimentel, quando se fala em sustentabilidade não é necessário apenas diminuir o consumo, mas fazer as escolhas corretas. “Tudo é uma questão de escolha e decisões políticas e pessoais. Temos que pensar não só na sustentabilidade de um produto mas também em sua cadeia produtiva”, disse.

E como exemplos de empresas que pensam na sustentabilidade, Olga Bon, da Ecomoda, falou sobre os seus produtos: “Temos uma parceria com o Instituto 'Doe seu Lixo' e profissionalizamos os catadores. Com o produto reciclado fazemos novas roupas a um preço mais acessível. Também desenvolvemos tecnologias para criar novas fibras menos agressivas a natureza. Não vendemos um produto, vendemos um conceito”, afirmou.

Já Andréia Carvalho, da Papel Semente, empresa que vende um papel reciclado que contem sementes e pode ser plantado, acredita que é preciso se reinventar constantemente porque o mundo se reinventa a cada minuto. “Não podemos ter mais as mesmas respostas porque as perguntas são outras. Temos que inovar buscando sempre mobilizar a sociedade para a sustentabilidade. Não podemos ser pessimistas, temos que agir”, conclui Andréia.

CONSUMO SUSTENTÁVEL É ESCOLHA PESSOAL E POLÍTICA, AFIRMAM DEBATEDORES

“A Rio +20 está discutindo a erradicação da miséria como forma de sustentabilidade e a educação e as tecnologias estão sendo vistas como aliadas. Já existem muitas inciativas acontecendo, mas são pouco vistas. Daí a importância deste debate”, afirmou a secretária geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, Geiza Rocha, durante a rodada de debates “Consumo + Sustentável”, realizado na sede da Fecomércio-RJ, na sexta-feira, dia 15 de junho. Na ocasião foi lançada a campanha “Seja consciente. O benefício é todo seu”, uma realização da Fecomércio sob a coordenação técnica da professora de engenharia ambiental da UFRJ, Kátia Dantas. O objetivo da campanha é promover a redução do consumo de energia, água e papel, além de orientar o comércio para práticas sustentáveis.

 

No debate, que reuniu empresários, representantes da sociedade civil organizada e do poder público, Geiza Rocha falou também sobre a importância do envolvimento do Poder Legislativo nas práticas sustentáveis e em como a sociedade pode participar mais ativamente ao lado da política, para a preservação dos nossos recursos naturais. “Mais do que reunir temos que disponibilizar para todos informações e dados interessantes que muitas vezes ficam restritos aos pequenos grupos”, acredita.

 

O professor Walter Suemitsu, da COPPE/UFRJ, falou sobre a importância dos comerciantes se responsabilizaram por aquilo que vendem. Para ele, iniciativas como a logística reversa, que responsabiliza quem produz a dar a correta destinação final aos resíduos, e a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais neste processo. “Com a logística reversa a quantidade de resíduos sólidos diminui e se cria uma responsabilidade compartilhada no que se vende e no que se compra”, afirmou.

 

Para o representante da Fecomércio, Orlando Pimentel, quando se fala em sustentabilidade não é necessário apenas diminuir o consumo, mas fazer as escolhas corretas. “Tudo é uma questão de escolha e decisões políticas e pessoais. Temos que pensar não só na sustentabilidade de um produto mas também em sua cadeia produtiva”, disse.

 

E como exemplos de empresas que pensam na sustentabilidade, Olga Bon, da Ecomoda, falou sobre os seus produtos: “Temos uma parceria com o Instituto 'Doe seu Lixo' e profissionalizamos os catadores. Com o produto reciclado fazemos novas roupas a um preço mais acessível. Também desenvolvemos tecnologias para criar novas fibras menos agressivas a natureza. Não vendemos um produto, vendemos um conceito”, afirmou.

 

Já Andréia Carvalho, da Papel Semente, empresa que vende um papel reciclado que contem sementes e pode ser plantado, acredita que é preciso se reinventar constantemente porque o mundo se reinventa a cada minuto. “Não podemos ter mais as mesmas respostas porque as perguntas são outras. Temos que inovar buscando sempre mobilizar a sociedade para a sustentabilidade. Não podemos ser pessimistas, temos que agir”, conclui Andréia.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

RIO DE JANEIRO E BANCO MUNDIAL LANÇAM INÉDITO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE BAIXO CARBONO DA CIDADE

Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro foi lançado nessa segunda-feira (18).

 

Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 – A Cidade do Rio de Janeiro e o Banco Mundial lançaram hoje, durante a Cúpula dos Prefeitos – evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável-Rio+20 –, um programa pioneiro na esfera municipal para colocar em prática ações para o desenvolvimento de baixo carbono da cidade.

 

Certificado de acordo com a norma ISO, o Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro auxiliará o município no monitoramento e contabilização dos investimentos de baixo carbono e das ações de mitigação de mudanças climáticas em diferentes setores. O programa representa um modelo de negócio que pode ser aplicado em várias cidades ao redor do mundo. As cidades são responsáveis por 2/3 do consumo mundial de energia e 70% das emissões de gases do efeito estufa.

 

A iniciativa ocorre em momento oportuno, uma vez que a cidade do Rio de Janeiro vem recebendo grandes investimentos, especialmente no setor de infraestrutura, em função da Copa do Mundo em 2014 e das Olímpiadas em 2016. O programa contribui para que o Rio cresça de maneira sustentável num contexto de baixo carbono, respeitando os recursos naturais da cidade.

 

“O Rio de Janeiro é lider na área de mitigação de mudanças climáticas. Fomos a primeira cidade brasileira a fixar metas concretas e ousadas de redução das emissões de gases do efeito estufa. No final desse ano, o Rio já terá reduzido em 8% suas emissões. Até 2020, serão 20%. Temos um amplo inventário de emissões e, com o apoio do Banco Mundial, estamos lançando um método transparente e confiável para contabilizar todas as atividades de mitigação da cidade”, disse Eduardo Paes, Prefeito do Rio de Janeiro.

A meta do Rio de Janeiro é garantir 2,3 millhões de toneladas de reduções de emissão até 2020, o que equivale a 20% das emissões do município em 2005. Esta meta será alcançada por meio de uma série de projetos e políticas, que já começaram a ser implementadas como a duplicação da rede de ciclovias da cidade, a inauguração do primeiro dos quatro corredores exclusivos do sistema de transporte BRT (Bus Rapid Transit) e a politica de universalização do saneamento básico na Zona Oeste, área mais populosa da cidade.

Agora, através do Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro será desenvolvida uma estrutura para coleta e análise de dados com o intuito de promover projetos de baixo carbono e, ao mesmo tempo, quantificar e validar as reduções de emissão. Estas reduções poderão ser utilizadas na contabilização das metas do Rio ou comercializadas na forma de créditos de carbono. A princípio, o programa incluirá dois projetos piloto nas áreas de florestas urbanas e transportes urbanos não-motorizados (bicicletas), englobando outros setores futuramente.

“Estamos honrados por ter o Rio como parceiro-chave na abordagem de duas das grandes tendências do século XXI: a urbanização e as mudanças climáticas”, disse Hasan Tuluy, Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. “A certificação ISO para um programa municipal de mudanças climáticas com tamanha abrangência é inédita, fazendo com que o Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro seja um modelo de negócio que a mitigação de mudanças climáticas nas cidades”.

A maior floresta urbana do mundo

O Rio de Janeiro abriga a maior floresta urbana do mundo (19.000 ha). Nos últimos 28 anos a cidade vem conduzindo um amplo programa de reflorestamento e manutenção. Até 2016, a meta da cidade é reflorestar até 1.300 hectares de áreas degradadas.

O novo Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro permitirá a quantificação do carbono armazenado e sequestrado anualmente nessas florestas utilizando uma ferramenta inovadora chamada iTree. Além da quantificação do carbono, a ferramente possibilitará medir a contribuição das árvores urbanas para a redução das necessidades de aquecimento e resfriamento para as edificações, a remoção de poluentes atmosféricos e a diminuição no risco de deslizamentos, dentre outras variáveis. O projeto piloto do Programa relacionado às florestas urbanas também ajudará a qualificar a mão-de-obra na coleta de amostras e análise florestal por meio de parcerias com as agências florestais do Brasil e Estados Unidos, ONGs locais e equipes de reflorestamento do município do Rio.

Promovendo o transporte urbano cada vez mais verde

 

Com uma população aproximada de 6 milhões de habitantes, o transporte motorizado responde por quase 70% das viagens no Rio de Janeiro e cerca de 45% das emissões totais da cidade. O município está implementando um sistema público de bicicletas compartilhadas, ao mesmo tempo ampliando suas ciclovias. A utilização de métodos alternativos de transporte contribuirá para reduzir os congestionamentos no Rio e a melhorar a segurança e mobilidade de todos os residentes. O Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro auxiliará na medição das emissões reduzidas resultantes da expansão do sistema de bicicletas compartilhadas e da ampliação das ciclovias.

 

Futuramente o Programa deverá englobar outros setores como os corredores expressos de ônibus (BRT), políticas de reciclagem, eficiência energética em edifícios e iluminação pública, dentre outros.

 

O Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro foi concebido conjuntamente pela administração municipal do Rio de Janeiro e o Banco Mundial, com apoio financeiro do Grupo de Prática de Mudanças Climáticas do Instituto Banco Mundial por meio de seu Programa Assistência ao Financiamento de Carbono.

 

A DNV KEMA Energia e Sustentabilidade confirmou a adequação do Programa com os requerimentos do novo Protocolo de Avaliação do Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade, o qual inclui as normas ISO 14064-2 e ISO 14001. Fonte: TerraViva.

 

O Programa é administrado pela Prefeitura do Rio; o Instituto Pereira Passos (IPP), baseado no Rio, será responsável pelo armazenamento dos dados relativos às reduções de emissão gerados sob o Programa.

 

PREFEITURA DE SÃO PAULO ARRECADA R$ 4,5 MILHÕES EM LEILÃO DE CRÉDITOS DE CARBONO

A Prefeitura leiloou nesta terça-feira (12/6) na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa) um lote de 531.642 toneladas de crédito de carbono provenientes do Projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia. A quantia total arrecadada, cerca de 4,5 milhões de reais, será investida em projetos de melhorias das áreas do entorno de aterros sanitários.

 

A Prefeitura leiloou nesta terça-feira (12/6) na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa) um lote de 531.642 toneladas de crédito de carbono provenientes do Projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia. Cinco empresas se inscreveram para participar do leilão, mas apenas três deram lances. A empresa vencedora, a suíça Mercuria Energy Trading SA, pagou 3,30 euros por tonelada, em um agio de 22,22% em relação ao preço mínimo, de 2,70 euros. A quantia total arrecadada, cerca de 4,5 milhões de reais, será investida em projetos de melhorias das áreas do entorno de aterros sanitários. O secretário municipal de Finanças avaliou o leilão como um sucesso. “Conseguimos uma oferta significativa que será aplicada em melhorias ambientais necessárias à população que reside próxima aos aterros”, disse o secretário, que também estimou um prazo de 45 dias para a liberação do montante ao município. “A empresa já ganhou outros leilões da Prefeitura e já tem registro na ONU. Então, consequentemente, a liberação do recurso ocorrerá com maior rapidez”, explicou. O dinheiro arrecadado com a venda dos créditos é sempre direcionado ao Fundo Especial do Meio Ambiente (FEMA), e, assim, revertido para projetos ambientais. De acordo com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente já há um projeto escolhido como destino para o dinheiro arrecadado com o terceiro leilão de créditos de carbono.

 

“Os recursos serão aplicados no Parque Linear Perus, na região da Zona Norte”, disse. O local de construção, uma área equivalente ao Parque do Ibirapuera, foi escolhido para beneficiar moradores que vivem no entorno do Aterro Sanitário Bandeirantes. O projeto prevê a construção de uma praça acervo, mirante, viveiro, além de equipamentos públicos de lazer, esporte e  entretenimento. Apesar de funcionar como um pólo de lazer para a comunidade, o objetivo maior da obra é acabar com as enchentes em Perus. Para tanto, também está programada no projeto a reservação e ampliação da Bacia do Córrego do Perus. Esse é o terceiro leilão de Créditos de Carbono organizado pela Prefeitura de São Paulo. O primeiro, ocorrido em setembro de 2007, vendeu um lote de 808.450 toneladas provenientes também do Aterro Bandeirantes do período de dezembro de 2003 a dezembro de 2006, com a arrecadação de 34 milhões de reais.

 

O segundo, que ocorreu em setembro de 2008, rendeu 37 milhões de reais e ofertou dois lotes distintos, um com 454.343 créditos procedentes do Aterro Bandeirantes do período de janeiro de 2007 a março de 2008, e o outro, com 258.657 créditos gerados no Aterro São João, entre março de 2007 e março de 2008. Geração e venda dos Créditos de Carbono Os créditos leiloados foram gerados por meio de um projeto de aproveitamento dos gases produzidos por aterros sanitários. A decomposição do lixo produz o biogás, mistura que contém metano e dióxido de carbono. Nos aterros Bandeirantes, na Zona Norte, e São João, na Zona Leste, o metano é captado, compactado e transformado em fonte de energia elétrica. A usina do aterro Bandeirantes tem capacidade para produzir 175 mil Mwh/ano. Vale destacar que o leilão em questão é proveniente apenas do Aterro Bandeirantes. Esse sistema evita a liberação anual de mais de um milhão de toneladas de metano na atmosfera e minimiza os riscos de explosão nos aterros. Cada tonelada de metano que deixa de ser despejada no ar gera um crédito de carbono, que certifica a redução de poluição. Para obter este certificado, o projeto foi credenciado junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e apresenta relatórios regularmente sobre suas atividades.

 

A captação e queima do metano nos aterros sanitários municipais Bandeirantes e São João, a partir de duas usinas de biogás, permite a emissão de créditos de carbono pela United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCC). Todo o processo do leilão é on-line, tornando-o mais barato e transparente. Para participar, os compradores se cadastram na Bovespa, que inclui a apresentação de documentação e de garantias financeiras. O preço mínimo de venda é definido na véspera, por uma fórmula que se baseia na média das últimas cinco cotações de créditos de carbono do mercado europeu. No dia do leilão, os compradores têm 60 minutos para apresentarem seus lances e o vencedor é conhecido. Destinação da verba dos leilões Após o pagamento e a transferência dos créditos, os recursos são encaminhados ao FEMA e investidos em melhorias ambientais e de qualidade de vida para a população vizinha dos aterros. Há dois projetos distintos, separados de acordo com os dois aterros sanitário da cidade.

 

O projeto Bandeirantes financia intervenções na região das    subprefeituras Perus e Pirituba/Jaraguá. Para decidir como os recursos serão aplicados, ocorrem discussões que envolvem a administração pública e a população. As propostas são discutidas pelo Conselho do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Confema). O parque Anhanguera, na região de Perus, foi um dos espaços verdes beneficiados pelo projeto Bandeirantes. Receberá uma Escola de Marcenaria, um Viveiro e continuação da obra de ampliação do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres.

 

Também na Zona Norte, haverá a implantação do Parque Linear Perus, localizado próximo do córrego Ribeirão Perus. Na Zona Leste, está prevista a instalação do Parque Nebulosas e do Parque Limoeiro. Já estão em execução a implantação do sistema hidráulico, da iluminação e do cercamento do Parque Sapopemba. Outro projeto que recebe os recursos é a urbanização da favela Bamburral, em Perus, que inclui infraestrutura, espaços comunitários, canalização de córrego e a construção de quatro blocos lineares, que abrigarão 260 unidades habitacionais para atender famílias que serão removidas de áreas de risco. Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.ph\p?p=49955

terça-feira, 19 de junho de 2012

O socioeconomista franco-polonês Ignacy Sachs abrilhanta a Cuplula do Povos no Rio em conferencia junto com o antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin

O socioeconomista franco-polonês Ignacy Sachs, aos 85 anos, é um pensador em plena atividade. Sua longa e bela trajetória está marcada por participações em eventos importantes. Esteve presente na organização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, realizada em 1972, e na Cúpula da Terra – Eco-92, no Rio de Janeiro. E já confirmou que deixará sua contribuição durante a Rio+20, participando de eventos paralelos no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre os dias 13 e 23 de junho.

 

Com uma carreira acadêmica dedicada, em grande parte, ao Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (Paris), do qual foi diretor, é reconhecido por ser um dos criadores do conceito do ecodesenvolvimento, que propõe o crescimento econômico no contexto do desenvolvimento social e proteção ambiental.

 

Em entrevista, ele faz uma análise sobre economia verde e governança global e propõe alternativas possíveis de negociações para a Rio+20.

Responsabilidade Social - Após uma experiência de mais de quatro décadas, quais são os caminhos da governança global e da sustentabilidade que o senhor considera necessários, tendo em vista o contexto da crise econômica?

 

Ignacy Sachs - Os mercados deixados a si mesmos têm a vista curta e a pele grossa. Por isso, devemos recolocar no centro das nossas preocupações a volta ao planejamento em longo prazo, visto que, os computadores tomaram o lugar dos "ábacos" (antigo instrumento de cálculo).

Dispomos hoje de um vasto conjunto de experiências de planejamento, muitas delas fracassadas, assim mesmo, suscetíveis de um exame crítico de maneira a propor para o futuro paradigmas eficientes de planejamento democrático, baseado no diálogo entre todos os atores sociais e estruturado ao redor do tripé: objetivos de desenvolvimento sociais, condicionalidade ambiental e viabilidade econômica, esta última por construir.

 

RS - A ecossocioeconomia tem compatibilidade com o que está se propondo como economia verde? Por quê?

IS - A ecossocioeconomia deve se esforçar por utilizar, sempre que possível, recursos renováveis pertencentes à "economia verde", tomando o cuidado de respeitar as condições de sua renovabilidade e obedecendo a preceitos de justiça social na repartição do produto. Por isso, a minha preferência vai à bandeira portuguesa: "verde – vermelha". De qualquer modo, devemos evitar a criação de uma economia verde ao serviço de uma minoria privilegiada.

 

RS - Quais são suas propostas e perspectivas para a Rio+20, agora, em junho? Qual será sua participação no evento?

 

IS - Idealmente, deveríamos completar os fundos de desenvolvimento mobilizados internamente em cada país para a criação de um grande fundo de desenvolvimento internacional, alimentado por 1% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países ricos (um tema várias vezes colocado no debate internacional e nunca implementado).

 

Essa iniciativa somada à taxa Tobin (tributo proposto pelo economista norte-americano James Tobin, da Universidade de Yale) sobre as especulações financeiras, além de um imposto sobre o carbono emitido com o duplo propósito de frear as emissões e gerar recursos para o desenvolvimento. Por fim, considero importante haver pedágios sobre ares e mares sob a forma de um percentual acrescentado às passagens aéreas e aos fretes marítimos.

 

Penso que poderíamos, assim, chegar facilmente a 2% do PIB mundial, ou seja, aproximadamente um décimo de todos os investimentos, quantia suficiente para reorientar o rumo da economia mundial.

 

Para que recursos tão volumosos não se percam em investimentos duvidosos, as Nações Unidas deveriam reforçar simultaneamente os programas de cooperação científica e técnica voltados ao melhor aproveitamento dos recursos renováveis de cada bioma, privilegiando, portanto, na cooperação internacional, os paralelos e, não, os meridianos.

 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

SÃO PAULO PREPARA MAIOR MERCADO DE CARBONO DO PAÍS

A BM&FBovespa, maior bolsa de valores latino-americana, será parceira do governo estadual na iniciativa

 

Analistas consideram que a meta de redução de 20 por cento nas emissões até 2020 é quase impossível de ser alcançada

 

São Paulo - O governo paulista anunciou nesta terça-feira planos para criar um mercado decarbono que poderá no futuro ser associado a um esquema semelhante que está sendo desenvolvido no Rio de Janeiro.

 

São Paulo responde por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e vigora no Estado uma rigorosa lei que estipula uma redução de 20 por cento nas emissões de gases do efeito estufa até 2020, em relação aos níveis de 2005. Isso significa limitar as emissões a 98 milhões de toneladas de dióxido de carbono ou equivalente.

 

"Isso é uma prioridade para o governo. Esperamos ter o mercado funcionando o mais breve possível", disse a jornalistas o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas. "Nós já estamos conversando com as indústrias sobre as metas. Essa é a grande dificuldade a ser vencida, definir o tamanho dos cortes nas emissões".

 

A BM&FBovespa, maior bolsa de valores latino-americana, será parceira do governo estadual na iniciativa.

 

O esquema fluminense de mercado de carbono será formalmente lançado neste mês, e o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que no futuro poderá haver uma vinculação entre os dois mercados de carbono dos mais ricos Estados brasileiros, embora por enquanto não haja planos concretos nesse sentido.

"Nós podemos promover a interconectividade com outros mercados, em nível nacional ou internacional", disse Pinto.

 

Ele acredita que o mercado paulista de carbono possa estar operacional já no final do ano se o governo acelerar a definição de metas e regulamentos.

 

ENTRE A ECO92 E A RIO+20, O QUE FOI APROVEITADO?

Entre os vinte anos que separam as duas conferências no Rio de Janeiro foram muitos acordos para preservar o meio ambiente, mas poucas medidas efetivas

Durante a Eco 92, primeira conferência sobre o meio ambiente desde Estocolmo 72, representantes de 108 países reuniram-se no Rio de Janeiro para tentar diminuir a degradação ambiental. O encontro trouxe esperança de mudanças significativas para o futuro do planeta. Vinte anos depois, quando a cidade está prestes a receber mais uma Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, fica a pergunta: o que realmente mudou entre as duas reuniões? Que efeitos práticos resultaram da Eco 92 e o que esperar da Rio+20?

O especialista do Instituto Millenium, Mario Ernesto Humberg, consultor e palestrante sobre mudanças empresariais, gestão de crises, comunicação e ética empresarial e coordenador do PNBE Pensamento Nacional das Bases Empresariais, esteve na Eco 92. Para ele, a principal mudança foi uma maior conscientização da sociedade em relação a questões ambientais. Afinal, foi a Eco 92 que popularizou o conceito de desenvolvimento sustentável e contribuiu para disseminar a ideia de que os danos ao meio ambiente eram majoritariamente de responsabilidade dos países desenvolvidos.

“Houve de fato uma conscientização em torno de temas como economia de energia, reciclagem, proteção das florestas”, lembra Humberg. “Mas do ponto de vista de mudanças no mundo, creio que se avançou muito pouco em relação ao que foi discutido, principalmente na redução do consumo de combustíveis fosseis e gás carbônico”.

Na época, os Estados Unidos, maiores consumidores de combustível no mundo, não desejaram fazer nenhum acordo e, portanto, não houve esforço para reduzir a emissão de gás carbônico. “Houve apenas acordos pontuais, como a redução de descarga de resíduos no mar, sendo que os oceanos precisavam de algo mais efetivo”.

Por outro lado, Humberg viu um grande avanço na legislação da maior parte dos países, principalmente no setor privado. “Hoje são raros os problemas das áreas industriais. De vez em quando há vazamentos, mas a maior parte toma cuidado”.

A necessidade de fazer um balanço dos últimos vinte anos é um dos pontos que sustentam as conferências ambientais. O advogado e professor na Universidade Estácio de Sá, André Esteves, acredita que o legado da Eco 92 precisa ser discutido na Rio+20.

“Uma das propostas desse evento deveria ser discutir o que aconteceu 20 anos atrás, o que andou bem ou não, para gerar um documento para que a Rio+20 tivesse um ponto objetivo para validar e reorganizar a questão ambiental”, diz. “Trazer à tona questões ligadas a questões climáticas, crescimento da população etc. A questão da economia verde é fundamental na medida em que ela precisa encontrar soluções para compatibilizar economia e ecologia, de que maneira conseguimos fazer a economia crescer conciliando com a questão ambiental”.

Já para Fernando Lyrio, chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do MMA, a Eco 92 foi um momento de conjunção política muito forte. “Embora haja dificuldade de se implementar as propostas, o evento é até hoje referência dos processos políticos e isso não está perdido. Os tratados e convenções são bons mas faltam ser cumpridos. A Rio+20 se propõe a fazer o balanço dessas lacunas”, destacou ao site Planeta Sustentável.

Lyrio acredita que os tratados e convenções discutidos nos últimos 20 anos foram bons, mas faltam ser cumpridos. “A Rio+20 se propõe a fazer o balanço dessas lacunas”, afirmou.

Então, o que fazer para que, dessa vez, os tratados sejam cumpridos?

“A única coisa que pode despertar é a pressão dos cidadãos”, avalia Humberg. “Não há órgão superior com força de decisão unilateral para fazer cumprir um acordo internacional. Só a pressão dos cidadãos é que conseguiria”.

A metodologia da ONU, que dá aos países com dimensões diferentes capacidade iguais de votação, dificulta a implementação rápida dos acordos, acredita André Esteves. “São 194 países, é muito difícil buscar o consenso nesses países com realidades e condições ambientais diferentes e uma metodologia que tem mudado pouco. Alguns países tem grande influência na organização do evento, mas não tem interesse em mudar as coisas”, explica.

A crise mundial também tem chances de impedir resultados mais efetivos na Conferência. “Tenho impressão de que os resultados da Rio+20 serão menos importantes do que da Eco 92, porque momentos de crise não são muito favoráveis para tomadas de decisões e novos paradigmas. Não tenho expectativas de resultados, mesmo que sempre se consiga algo. Minha expectativa é a educação e a consciência de preservação. É mais o aspecto da sociedade do que das convenções”.

Fontes: Planeta Sustentável - O que esperar da Rio+20