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domingo, 15 de janeiro de 2012

PROJETO DA USP FAZ PARCERIA COM CATADORES PARA COLETA REGIONAL INTELIGENTE

Projeto da USP propõe gestão de material reciclável mais eficiente e participativa, com destaque para o conhecimento que catadores têm sobre o processo. Iniciativa é apoiada por cooperativa paulista de coletores e por pesquisadores dos Estados Unidos.

Por: Carolina Drago

Publicado em 10/01/2012 | Atualizado em 10/01/2012

Catadores de material reciclável da Coopamare usam ‘software’ desenvolvido por pesquisadores do MIT para sistematizar e integrar processo de coleta seletiva no bairro de Pinheiros, na zona oeste do município de São Paulo. (foto: Senseable City Lab)

Com o crescimento econômico e o avanço tecnológico dos últimos anos, cresceu também a quantidade de lixo produzido nas cidades. Hoje o grande desafio é reaproveitar esses resíduos, a começar pela coleta seletiva – e pelo reconhecimento dos trabalhadores responsáveis por ela. Um projeto piloto da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com catadores do município e pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), dá os primeiros passos nessa direção.

Batizado Forager, o projeto conta com um GPS (sigla em inglês de sistema de posicionamento global) para mapear as rotas percorridas diariamente por catadores de uma cooperativa paulista. A ferramenta registra informações como os pontos de coleta e o tipo de material reciclável. Paralelamente, um sistema on-line permite que comunidade local e empresas estejam em contato com os coletores, ‘doando’ resíduos via celular ou site – cujo acesso está restrito ao grupo.

“Nós estamos usando tecnologia em tempo real para tornar a gestão de resíduos mais participativa e eficiente”

“Nós estamos usando tecnologia em tempo real para tornar a gestão de resíduos mais participativa e eficiente. A ideia é ajudar, com tecnologias baratas, uma cooperativa de recicladores informais a documentar seus conhecimentos e melhorar suas operações”, avalia Dietmar Offenhuber, pesquisador do Senseable City Lab, do Departamento de Planejamento e Estudos Urbanos do MIT.

Suporte aos catadores

O pontapé inicial para o Forager foi dado pela professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Maria Cecília Loschiavo. Desde 2003, ela ministra a disciplina ‘Design para a sustentabilidade’, na qual se estuda desde o descarte até o manejo do lixo e se discute o papel dos catadores nesse processo que leva à reciclagem.

A iniciativa teve o apoio da cooperativa de catadores que atua na zona oeste do município paulista, a Coopamare, para a qual o Forager foi desenvolvido – e, mais recentemente, da equipe do MIT. Esse grupo de pesquisadores desenvolveu em 2009 um projeto ligado ao sensoriamento do lixo na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. O objetivo era acompanhar o trajeto de 3 mil objetos descartados até seu destino final por meio de um sensor anexado a eles.

Offenhuber (no centro), Loshiavo (de óculos, à direita) e catadores na sede da Coopamare, cooperativa paulista. Projeto da USP defende que conhecimento de catadores sobre manejo do lixo poderá inspirar políticas públicas sustentáveis. (foto: Coopamare)

“O resultado dessa experiência nos surpreendeu muito e pensamos em transformá-la de alguma forma num sistema de reciclagem informal”, lembra Offenhuber. Estudando a nova lei brasileira sobre resíduos sólidos, o pesquisador observou que ela oferece uma série de incentivos para as cooperativas expandirem suas operações. Mas o maior desafio, que é organizar e formalizar suas atividades, ainda precisava ser superado.

“Nós descobrimos que documentar o processo de coleta e compartilhá-lo com a comunidade geraria dados valiosos – sobre rotas, materiais, tráfego – com o mínimo de esforço”, conta. “A ampliação dessa base de dados vai ajudar os coletores no treinamento de novos cooperados e também na gestão de suas operações, feitas por carrinho ou caminhão”, adianta.

Mais conhecimento para gestão sustentável

Para Loschiavo, os ganhos vão além. Ela defende que, mais do que sistematizar a coleta, o trunfo do projeto é estender o conhecimento que universidade e comunidade têm sobre resíduos e descarte do lixo nas cidades.

“Os dados que temos atualmente sobre produção e manejo de resíduos ainda são poucos e pouco consolidados”, pondera. “Esse trabalho conjunto poderá ajudar no desenho de políticas públicas para a gestão sustentável do lixo”, prevê a pesquisadora.

“Esse trabalho conjunto poderá ajudar no desenho de políticas públicas para a gestão sustentável do lixo”

No final do ano passado, houve uma reunião na Coopamare para apresentar aos catadores os primeiros resultados do Forager em funcionamento. Pesquisadores da USP e do MIT mostraram a eles, em mapas, tudo o que vem sendo sistematizado para facilitar seu trabalho de coleta. “Nosso objetivo é que esses catadores possam se reconhecer nesse processo, que tenham seu trabalho valorizado e sejam respeitados enquanto cidadãos”, conclui Loschiavo.

Fonte: Ciência Hoje On-line

 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

NOVO INDICADOR DO PNUD RETRATA VIVÊNCIAS NO TRABALHO, NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE

O PNUD Brasil divulgou um indicador inédito no mundo, o IVH (Índice de Valores Humanos), que retrata as vivências dos brasileiros nas áreas de saúde, educação e trabalho. Ele faz parte da versão inicial do terceiro caderno do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2009/2010.

 

O IVH indica o grau de respeito a valores nas áreas de saúde, conhecimento e padrão de vida — as mesmas categorias levadas em conta no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), criado em 1990 e calculado para mais de 180 países. Assim como o indicador divulgado anualmente pelo PNUD, ele varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior).

 

“O novo índice busca dar materialidade à discussão sobre a importância dos valores para o desenvolvimento humano”, afirma o coordenador do RDH Brasil 2009/2010, Flávio Comim. “O IDH concentra-se nos resultados. O IVH desloca a atenção para os processos que levam a um pior ou melhor desenvolvimento humano. Os dois índices são complementares”, acrescenta.

 

Os dados foram coletados em pesquisa feita no início deste ano pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, com 2.002 entrevistados em 148 municípios de 24 unidades da Federação. Os valores abordados estão entre os destacados na pesquisa Perfil dos Valores dos Brasileiros, que fez parte do segundo caderno do relatório: respeito, liberdade, reciprocidade e convivência.

 

A elaboração do IVH partiu do conceito de que os valores são formados a partir das experiências das pessoas — por isso, o índice capta a percepção dos indivíduos sobre situações vivenciadas no dia a dia.

Subíndices

O IVH do Brasil é 0,59, valor que equivale à média dos três subíndices que o compõem. O maior é o ligado a trabalho (chamado IVH-T): 0,79. Isso indica que as pessoas têm mais vivências positivas nessa área do que nas outras duas, segundo Comim.

IVH-T abrange principalmente questões ligadas a liberdade e reciprocidade. Um IVH próximo de 1 aponta que, no ambiente de trabalho, as pessoas experimentam mais situações positivas (como realização profissional, cooperação entre os colegas, liberdade para expressar opiniões, motivação) do que negativas (frustração, estresse, discriminação, falta de reconhecimento e indignação, por exemplo).

 

Na dimensão de educação (IVH-E), o índice é 0,54. Ela destaca os valores de convivência e aborda três aspectos. Um deles capta o que os entrevistados acham que a educação escolar deve priorizar: conhecimento para ser uma boa pessoa, um bom cidadão, para ter uma boa vida ou conseguir emprego. Quanto mais respostas indicando os conhecimentos que tendem a gerar mais benefícios públicos (como ser uma boa pessoa e um bom cidadão), maior o IVH-E. Outro aspecto incluído no IVH-E é a avaliação dos entrevistados sobre os estudantes (se têm interesse pelos estudos, respeito aos professores e honestidade, por exemplo). O terceiro é uma avaliação dos professores (semelhante à dos alunos: se respeitam os alunos, se têm interesse pelo alunos, honestidade e liberdade para expressar suas ideias).

 

O indicador em que o Brasil se sai pior é o de saúde (IVH-S): 0,45. Este subíndice sintetiza a opinião dos entrevistados sobre três aspectos relacionados aos serviços do setor: tempo de espera por atendimento, facilidade de compreensão da linguagem usada pelos profissionais de saúde e interesse que a equipe médica tem pelo paciente.

 

Os resultados da pesquisa mostram que mais da metade da população (51,1%) julga que a espera por atendimento em serviço de saúde é demorada (não foi feita distinção entre setor público ou privado). Apenas 27,1% acham fácil a compreensão da linguagem dos profissionais do setor, e 30,7% avaliam que eles têm pouco interesse em ajudar os pacientes.

 

Diferenças

 

O IVH foi calculado não apenas para o Brasil, mas também para as regiões. Sudeste e Sul, justamente as regiões com maior IDH, lideram o ranking do Índice de Valores Humanos, com 0,62. Em seguida, vêm Centro-Oeste (0,58), Nordeste (0,56) e Norte (0,50).

 

No IVH-S, a média brasileira é superada por Sudeste (0,51), Centro-Oeste (0,48) e Sul (0,47). O Norte é, novamente, a região com menor valor (0,31), seguido do Nordeste (0,36). Mais de dois terços (66,9%) dos moradores do Norte avaliam, por exemplo, que o tempo de espera por atendimento de saúde é elevado, e quase metade (44,6%) considera que a linguagem dos profissionais da área é muito difícil (44,6%).

 

Na dimensão educação, as diferenças são um pouco menores, com exceção da região Norte. A média brasileira do IVH-E (0,54) é superada por pouco no Sudeste (0,55) e no Sul (0,55), coincide com a do Centro-Oeste e fica pouco acima da do Nordeste (0,53). No Norte, o valor é 0,47. Nessa região, “a maior parte da população (40,4%) considera que o mais importante a ser ensinado às crianças são conhecimentos para obter um bom emprego”, destaca o relatório.

 

No IVH-T, o Sul é que se saiu melhor (0,84), seguido do Sudeste (0,80). Nordeste (0,78) e Norte (0,74) não ficam muito longe da média brasileira (0,79). O pior nessa dimensão é o Centro-Oeste (0,68), região em que há mais relatos de vivências no trabalho relacionadas a sofrimento.

 

Calculado para diferentes grupos de renda e de nível de escolaridade, o IVH contraria a desconfiança de que os mais pobres ou menos escolarizados tendem a ser mais condescendentes. Pelo que sinaliza o índice, há uma tendência, ainda que nem sempre linear, de que as vivências positivas sejam mais frequentes nos grupos com mais renda e educação. “As pessoas mais pobres e com menos educação não indicaram que tudo está bem. Pelo contrário, elas confirmaram a hipótese de que a pobreza e a exclusão impõem penalidades dobradas a elas”, afirma o relatório.

 

Fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Brasil) (5/2009)

 

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Rio+20 pode ser um novo caminho rumo ao desenvolvimento sustentável, afirma PNUMA

2012 marcará algumas etapas importantes na corrida em direção ao desenvolvimento sustentável enquanto as nações se encaminham para os momentos finais rumo à Rio+20, afirmou em comunicado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), como é formalmente conhecida e agora agendada para o final de junho deste ano, irá abordar dois temas abrangentes: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e um quadro institucional para o desenvolvimento sustentável.

Prevista para ser uma reunião de cúpula envolvendo chefes de Estado, a Conferência vem 20 anos depois da Cúpula da Terra de 1992, que estabeleceu o caminho para o desenvolvimento sustentável contemporâneo, e 40 anos após a Conferência de Estocolmo, que levou à criação do PNUMA. 2012 marca, portanto, o 40º aniversário do programa ambiental da ONU.

2012 também foi designado como o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos pela Assembleia Geral da ONU. O ano tem o objetivo de criar um ambiente favorável para a promoção e o uso de novas e renováveis tecnologias energéticas, incluindo medidas para melhorar o acesso a elas.

 

RUMO À RIO+20: O ANO DE 2012 SERÁ REPLETO DE OPORTUNIDADES PARA IMPULSIONAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

2012 também marca o 40º aniversário do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

A Rio+20, formalmente chamada de Conferência a ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, se realizará na última semana de junho e abordará dois temas abrangentes: a Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento Sustentável e da Erradicação da Pobreza e o Quadro Institucional para o Desenvolvimento Sustentável.

Prevista para ser uma reunião de cúpula envolvendo chefes de Estado, a Conferência acontecerá 20 anos após a Cúpula da Terra de 1992 — que estabeleceu o caminho para o desenvolvimento sustentável e criou tratados de mudança do clima, biodiversidade e desertificação — e 40 anos após a Conferência de Estocolmo, que levou à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. 2012 marca, portanto, o 40º aniversário do PNUMA.

O ano de 2012 também foi designado como o “Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos” pela Assembleia Geral da ONU. O Ano visa a criar um ambiente favorável para a promoção e uso de tecnologias de energia renovável, incluindo medidas para melhorar o acesso a elas.

Diversas iniciativas percorrerão o caminho rumo à Rio+20 durante o primeiro semestre do ano, oferecendo oportunidades para afinar as discussões sobre desenvolvimento sustentável da conferência.

Agenda Preliminar

Janeiro

  • II Sessão da Assembleia da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. 14-15 de janeiro.
  • V Cúpula Mundial sobre o Futuro da Energia (WFES). Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. 16-19 de janeiro.
  • Conferência Global sobre a Conexão entre Terra e Mar (GLOC): Em busca de economias costeiros mais verdes. Durante o evento, o PNUMA lançará o relatório “Economia Verde em um Planeta Azul”. Manila, Filipinas. 23-24 de janeiro.
  • Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial. 25-29 Janeiro. Davos, Suíça.
  • Encontro intergovernamental para a negociação e ratificação do Panorama Global Ambiental 5 para Formuladores de Políticas. Gwanju, República da Coreia. 30 de janeiro a 01 de fevereiro.

Fevereiro

  • XVIII Fórum de Ministros do Meio Ambiente da América Latina e Caribe. Quito, Equador. 31 de janeiro a 03 de fevereiro.

Durante o Fórum, os Ministros revisarão a implementação dos compromissos e acordos da Rio-92 e deliberarão sobre questões prioritárias e emergentes a serem levadas pela região à Rio+20.

Eles também deverão discutir a cooperação em Consumo e Produção Sustentável, Indicadores Ambientais e o caminho a seguir na negociação de um acordo regional sobre poluição atmosférica.

  • A Assembleia Geral da ONU fará um debate temático sobre as preparações para a Rio+20. Nova York, EUA.
  • O PNUMA, em cooperação com o Conselho Empresarial Global para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), irá promover uma cúpula global sobre a perspectiva empresarial sobre o crescimento sustentável. Nova York, EUA. 14-16 de fevereiro.
  • XII Sessão Especial do Conselho Governamental/Fórum Global de Ministros do Meio Ambiente. Nairóbi, Quênia. 20-22 de fevereiro.

Durante o evento, o PNUMA lançará o GEO-5 – Síntese para Formuladores de Políticas, como contribuição para a Rio+20.

Março

  • Bancos, seguradoras e investidores da América do Norte se reunirão no GLOBE 2012. Vancouver, Canadá. 14-16 de março.
  • O Dia Mundial da Água terá como tema “Água e Segurança Alimentar”. 22 de março.
  • A Universidade da ONU (UNU), em colaboração com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o Departamento de Mudança do Clima e Eficiência Energética da Austrália, a Convenção de Diversidade Biológica (CBD) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), organizarão um encontro com Comunidades Indígenas sobre Mitigação da Mudança do Clima. Cairns, Austrália. 26-28 de março.

Abril

  • II Encontro do Comitê Intergovernamental do Protocolo de Nagoya sobre Acesso a Recursos Genéticos e Partilha Equitativa de Benefícios Provenientes de sua Utilização. Delhi, Índia. 9-13 abril.
  • II Sessão Plenária da Plataforma Intergovernamental de Serviços dos Ecossistemas e da Biodiversidade (IPBES). Panamá. 16-21 de abril.

MaioExpo 2012. Yeosu, República da Coreia. 12 de maio a 12 de agosto.

  • V Sessão do Encontro das Partes do Acordo de Aves Marinhas Euro-Africanas. La Rochelle, França. 14-18 de maio.
  • Dia Internacional da Biodiversidade, sob o tema “Biodiversidade Marinha”. 22 de maio.
  • II Encontro Internacional sobre Adaptação à Mudança do Clima, organizado pela Universidade do Arizona (EUA) e pelo PNUMA. Tucson, EUA. 29-31 maio.

Junho

  • Congresso Mundial de Justiça, Governança e Direito para Sustentabilidade Ambiental. Rio de Janeiro, Brasil. 1-3 junho.
  • Com o tema “Economia Verde: Ela te inclui?”, o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2012 será sediado pelo Brasil duas semanas antes da Rio+20. A semana do meio ambiente será preenchida com eventos em todo o país. 4-10 de junho.
  • Terceira e última reunião preparatória para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Rio de Janeiro, Brasil. 13-15 de junho.
  • O Fórum Global de Oceanos organizará atividades para o Dia dos Oceanos durante os dias que precedem a Rio+20.
  • Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20. Rio de Janeiro, Brasil. 20-22 junho.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sebrae capacita 500 catadores de materiais recicláveis no DF

Atualmente, renda mensal da categoria costuma ser inferior a de um salário mínimo/Foto: Adenilson Nunes/Gov/Ba

Quinhentos catadores de materiais recicláveis, integrantes de associações e cooperativas serão beneficiados com a implantação do Projeto de Capacitação e Fortalecimento do setor. A partir de 2012, a metodologia desenvolvida pelo Sebrae no Distrito Federal será aplicada nas 29 cooperativas do DF, com o objetivo de estimular nos catadores competências necessárias para a melhoria da gestão. Com isso, estima-se elevar o grau de eficiência organizacional, desde a coleta até a comercialização de produtos.

Para Daniel Hudson, gestor do projeto do Sebrae no DF, a expectativa é aumentar o volume de material reciclado produzido pelas cooperativas e também elevar a renda média dos catadores. “Se aumentarmos em 15% o volume do que for coletado, ou seja, de 2.700 para 3.105 toneladas, a renda média da categoria passa de R$ 485 para R$ 557,75. Assim, o valor recebido por mês ultrapassa o salário mínimo”, avaliou Hudson à Agência Sebrae.

Outro objetivo do projeto é preparar os catadores para a realização de megaeventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016). “Sabemos que os mundiais terão a sustentabilidade como um dos princípios, prevendo a coleta seletiva e a triagem do material, recolhido pelos catadores”, observou Hudson.

A Cooperativa Popular de Coleta Seletiva de Produtos Recicláveis com Formação e Educação Ambiental (Coopativa) foi a primeira a receber a metodologia desenvolvida pela instituição, em 2010. Para atender aos próximos catadores que participarão do projeto, entre associados, dirigentes e conselheiros, serão formadas 10 turmas de 25 alunos para cada oficina.

“Essa quantidade é adequada para aplicação da metodologia, pois os dirigentes e os catadores líderes serão multiplicadores. Assim, toda a organização será impactada”, frisou Hudson. Além disso, várias cooperativas e associações estão localizadas na mesma região e área, o que possibilita a aplicação integrada em mais de um local.

Política Nacional de Resíduos Sólidos

Formalizar o trabalho dos catadores de material reciclável é um dos principais pontos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em agosto de 2010. Até então, a atividade era realizada de maneira voluntária. “O maior mérito dessa lei é a inclusão social de trabalhadores e trabalhadoras que, por muitos anos, foram esquecidos e maltratados pelo Poder Público”, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à época da aprovação da nova lei.

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) espera que os trabalhadores possam ser remunerados pela prestação de serviços às prefeituras pela coleta, separação e reciclagem do lixo. Para o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Lixo, Severino Lima Junior, a PNRS ajudará na valorização da profissão. “Queremos que a lei aumente a renda dos recicladores. Atualmente a renda média de um catador é de cerca de um salário mínimo (R$ 510)”, observou Severino Lima Júnior, um dos líderes da entidade.  Fonte: Publicado originalmente no site EcoD.

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

RIO TERÁ PRIMEIRA "BOLSA VERDE" DO PAÍS

O Rio de Janeiro terá a primeira "Bolsa verde" do Brasil. O projeto inédito pretende desenvolver um mercado de ativos ambientais para promover a economia verde fluminense. Será o primeiro mercado de carbono do país, mas o leque de commodities negociadas será mais amplo: terá efluentes industriais, reposição florestal e até lixo. A previsão é que comece a operar em abril de 2012, às vésperas da Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

O primeiro passo nessa direção é o acordo de cooperação que será firmado amanhã entre a Secretaria de Estado do Ambiente, a Fazenda municipal e uma associação civil sem fins lucrativos, a BVRio. "A Bolsa é um ambiente de negociação, onde quem precisa de determinados ativos compra de quem tem", explica Suzana Kahn, subsecretária de Economia Verde da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Rio. Entre esses ativos, o carbono é o mais importante.

O mercado mais forte de créditos de carbono no mundo é o europeu. Movimentou mais de € 100 bilhões em 2010. A base é o estabelecimento de um teto de emissões de gases-estufa (conhecido em inglês por "cap") e a comercialização de licenças para emitir ("trade"). Algumas vezes tais licenças são doadas pelos governos às empresas; outras, são vendidas.

A empresa que emite mais do que seu teto tem débito e compra créditos da outra, que emitiu menos - sistema de compensação e comércio conhecido por "cap & trade". "Queremos estimular a melhor eficiência e incentivar quem consegue reduzir emissões a custo menor", diz Suzana. No futuro, a Bolsa deverá abranger também energia renovável e biomassa.

O mesmo raciocínio se aplica aos efluentes industriais na Baía da Guanabara ou para créditos de logística reversa e reciclagem. No último caso, a lei determina que os produtos ou suas embalagens voltem às indústrias depois do consumo. A lógica aqui é permitir que empresas ou cooperativas que realizarem atividades de logística reversa vendam seus créditos a quem precise. "O crédito atesta que alguém reciclou uma tonelada de aço", ilustra Pedro Moura Costa, presidente-executivo da BVRio.

"Uma empresa precisa reciclar aço, mas pode comprar os créditos de alguém que fez o trabalho para ela", explica Moura Costa. "Você delega o que tem que fazer a empresas especializadas, que podem realizar o trabalho a um custo menor do que você faria e de um modo melhor."

A BVRio é uma associação civil sem fins lucrativos, que quer desenvolver os tais ativos ambientais. Os associados da BVRio são representantes de empresas, tanto de indústrias como de outros setores (inclusive bancos) ONGs e cientistas ou pessoas envolvidas com finanças ambientais. Terá câmaras temáticas para discutir como esse espaço de negociação "pode nos ajudar a migrar para a economia verde", diz Suzana.

Outro setor de transação na Bolsa verde será voltado aos proprietários rurais que tiverem uma área de florestas maior do que a exigida por lei (a chamada reserva legal). Eles poderão vender seus certificados para outros proprietários, que precisarem recuperar áreas. É um esquema similar aos créditos de reposição de retirada de vegetação. Nesse tópico, quem usa madeira retirada de florestas nativas tem obrigação de repor o que tirou. Empresas que fizerem plantio de modo voluntário poderão vender créditos às que têm a obrigação de repor a mata.

"O governo tem que criar a demanda para cada uma dessas commodities", explica Moura Costa. "Estamos trabalhando para que o Estado tenha metas de redução", diz Suzana, referindo-se aos gases-estufa. Ela adianta que há contatos com siderúrgicas, empresas de petróleo e gás, cimento, para identificar o custo de cortar emissões. "Ao mesmo tempo, queremos criar um mecanismo de mercado para que possam cumprir suas metas", explica a subsecretária. "De um lado estaremos apertando, mas de outro, criando condições para que a economia verde deslanche."

Se o objetivo imediato da Bolsa fluminense é estimular a economia verde no Estado, a iniciativa pode ter estímulos indiretos. Um deles, por exemplo, é atrair para o Rio um setor de prestação de serviços ambientais que, em Londres, já representa 9.000 empresas, em prega 160 mil pessoas e tem faturamento anual de 23 bilhões de libras esterlinas, diz Moura Costa.

Ele foi o fundador de uma das maiores empresas do mercado de carbono do mundo, a Ecosecurities, adquirida em 2009 pelo J.P.Morgan. "Quero agora fazer algo semelhante no Brasil", diz. Engenheiro agrônomo com especialização florestal, Moura Costa acredita que a Bolsa verde pode aumentar a qualidade das metas ambientais que já existem, "que serão implementadas de modo melhor e por um custo menor".

"É muito difícil estimar o volume de operação dessa Bolsa", registra Eduarda La Rocque, secretária municipal da Fazenda do Rio. As conversas entre o governo estadual e o municipal se iniciaram há três meses, conta ela. "Queremos trazer o mercado financeiro mais para perto da economia verde", diz ela. "Essa iniciativa carrega junto todo um entorno de serviços, que envolve advogados, corretoras e uma Bolsa de valores."

Há muitos anos, o mercado de ações do Rio foi transferido para São Paulo. "Vamos ter que conseguir uma Bolsa parceira no projeto, que pode ser a de São Paulo, desde que toda a 'inteligência' da Bolsa verde esteja aqui", diz Eduarda. "Bolsa hoje é virtual. Em tese, as transações podem ser feitas independentemente de onde se esteja."

Há várias iniciativas similares à do Rio em estudo no Brasil. O governo federal há anos estuda o desenvolvimento de um mercado nacional de créditos de carbono. "Isso não é simples. Estamos, agora, estudando todas as regras", antecipa Suzana. Segundo ela, a recente conferência internacional sobre mudança climática da ONU em Durban, na África do Sul, foi positiva (mesmo que os avanços tenham sido tênues) nesse sentido.

"Durban apontou com clareza que há uma tendência irreversível para a economia de baixo carbono", diz. "Isso cria, no mercado, uma expectativa positiva. Ninguém vai querer investir em uma tecnologia que será obsoleta em 10 ou 15 anos."

Fonte: Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 19-12-2011.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

NIVEL DE CO2 AUMENTA 2% NOS ULTIMOS 12 MESES E 29% DESDE 1990

Como era de se esperar, a proximidade da COP17, que começa no próximo dia 28, está servindo de estímulo para a divulgação de vários estudos sobre as emissões de gases do efeito estufa (GEEs).

 

No mais recente deles, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) alertou que a concentração de GEEs na atmosfera cresceu 2% entre 2009 e 2010. Desde 1990, a concentração desses gases subiu 29%.

 

O nível de CO2 chegou a 389 partes por milhão (ppm), contra 386ppm no ano anterior. Antes da Revolução industrial, no fim do século XIX, a concentração de CO2 era de apenas 280ppm. A taxa média de crescimento do CO2 foi de 1,68ppm anuais nos últimos 31 anos, sendo que esse ritmo vem se acelerando. Em 1995, a taxa estava em 1,43ppm e já no ano seguinte passou para 1,94ppm.

 

Para piorar, um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que se quisermos evitar que a temperatura da Terra não ultrapasse os dois graus Celsius de aumento que os cientistas estipularam como sendo o limite para evitar consequências climáticas mais graves, teremos que reduzir as emissões drasticamente já em 2017. Segundo a AIE, a partir dessa data ficaria impossível evitar os piores efeitos do aquecimento global, como desastres climáticos mais intensos e frequentes.

 

O problema é que se não foi possível realizar ações concretas de redução de emissões na COP15, em Copenhague em 2009, quando a atenção mundial estava muito mais focada nas mudanças climáticas, nem na COP16, em Cancun no ano passado, quando não havia a sombra de uma crise econômica atrapalhando as negociações, como é que podemos ter esperança para a COP17, em Durban?